DESENVOLVIMENTO DO FUTEBOL FEMININO NO RIO É TEMA DE SEMINÁRIO

Por 29 de março de 2019 Notícias Sem comentários
SEMINÁRIO
  1. E a bola começa a rolar no campo feminino do futebol. Após mais de três décadas de estagnação no Rio de Janeiro, o esporte praticado por mulheres no Estado ganha um pontapé e tanto. Realizado nesta sexta-feira, 29 de março, o “I Seminário de Fomento do Futebol Feminino” reuniu dezenas de atletas, técnicos, representantes do movimento civil organizado, entidades desportivas, deputados e secretarias de governo para discutir o futuro do esporte praticado por meninas, jovens e mulheres fluminenses. Em pauta, a igualdade de gênero, de recursos e oportunidades e os principais pontos da Lei n. 7576/2017, de autoria da Deputada Estadual Enfermeira Rejane, do PCdoB.
    O Seminário, uma iniciativa do Comitê de Fomento criado a partir da Lei, levou ao auditório do Cedim um time de peso. Da mesa, presidida pela Deputada Rejane, participaram o Secretário de Esportes, Felipe Bournier; Sandra Ornellas, sub-secretária de política para as mulheres; Thaiz Nascimento, da Secretaria de Esporte Lazer e Juventude; Ana Paula Queiróz, representando o Secretário de Educação Pedro Fernandes; Rebeca Cervantes, da OAB Mulher; Helena Piragibe, presidente do Cedim; Romeu Castro, Supervisor do departamento feminino da CBF e Rodrigo Molina, da FERJ.
    Abandonado por muitos anos, o futebol feminino começou a tomar fôlego a partir do momento em que a Deputada Estadual Enfermeira Rejane ( PCdoB) abraçou a luta e propôs a Lei de Fomento ao Futebol Feminino, sancionada em 2017. Foram precisos cerca de dois anos para que a Lei saísse do papel e tomasse corpo, tirando o futebol feminino da invisibilidade. O tema empolga pela paixão de quem pratica, pelos desafios que apresenta ao seu impulsionamento e pelos conceitos que representa: conquista de espaço pelas mulheres, empoderamento, inclusão e transformação .

Machismo e Preconceito

“Quando se aborda sob o aspecto social, talvez nenhum esporte tenha representado tantos sonhos quanto o futebol. A aceitação da sociedade às mulheres nesta modalidade está ligada ao machismo e ao preconceito. Principalmente nas famílias da periferia. Quando nascia um menino, o pai fazia questão de exibir e afirmar: esse vai ser macho, vai ser jogador de futebol. O que era uma maneira de dizer, implicitamente: esse não vai ser homossexual – o que traduz todo o preconceito, e vai tirar a nossa família da situação de vulnerabilidade, vamos ascender social e financeiramente. Aí, surgiram as meninas, com todo o seu talento, brigando corpo a corpo com os meninos por este espaço. Por isso, aceitar mulher no futebol era uma afronta” , relatou Romeu Castro, supervisor do departamento feminino da CBF, em uma análise antropológica durante o Seminário.

Políticas Públicas

Ciente das limitações impostas às mulheres quanto ao futebol, Thaiz Nascimento, Superintendente da Secretaria de esportes, Lazer e Juventude, anunciou que o Governo do Estado lançará, em breve, um programa voltado à modalidade:
“ É um programa piloto, no qual estaremos contemplando a inclusão social, especialmente de meninas muito jovens, que por motivos diversos se afastam da escola. O esporte, através do futebol feminino, é uma ferramenta importante de reinserção, de estímulo. “
De acordo com Thaiz Nascimento, o programa a ser anunciado pelo governo vai além, ampliando políticas públicas voltadas às mulheres, como campanhas contra agressões físicas e assédio em estádios de futebol.
Marisa Pires, capitã da seleção brasileira nos anos 80 e que dá nome à Lei de Fomento, se emocionou:
“Minha luta vem desde a década de 80. Peço as todos vocês que acreditem neste comitê de fomento, nesta iniciativa. Que acreditem que futebol feminino do Rio de Janeiro vai ressurgir com força. Agradeço a Deputada Rejane, a única a me abrir as portas e a abraçar essa nossa luta”.

Os órgãos de governo e as entidades agradeceram à Deputada Rejane pela realização do seminário e, principalmente, pela iniciativa da Lei, se colocando à disposição para uma atuação conjunta que leve o Rio de Janeiro ao lugar de protagonista no futebol feminino.
Ao encerrar o encontro, a parlamentar anunciou que no próximo dia 12 estará na Federação de Futebol do Rio de Janeiro para uma conversa com o presidente Rubem Lopes sobre o retorno à pauta de solicitações entregues à entidade, entre elas, a da criação de um departamento de futebol feminino e a realização de campeonatos.

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