DIAGNÓSTICO TARDIO AUMENTA MORTALIDADE POR CÂNCER DE MAMA

Por 17 de outubro de 2016 Notícias Sem comentários
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“Em 10 anos vão triplicar os casos de câncer de mama nas mulheres brasileiras. A situação tem de ser enfrentada como uma questão epidemiológica, de saúde pública.” A afirmação é do Enf.Mestre Thiago França, vice-presidente do CorenRJ, que participou , hoje, da primeira das cinco Rodas de Conversa promovidas pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher em conjunto com a Alerj, pelo Outubro Rosa.  De acordo com dados recentes do INCA, divulgados hoje no debate sobre  “A Urgência do Tratamento Contra o Câncer de Mama”, são diagnosticados por ano, no Brasil, 60 mil novos casos da doença, com registro de 15 mil mortes. De acordo com Thiago França, o elevado número de óbitos é provocado pela falta de uma política pública de saúde, que leva ao diagnóstico tardio da doença e a falta de qualificação profissional, que posterga um diagnóstico correto.  Uma forma de sanar a defasagem de profissionais melhor qualificados em diagnósticos de câncer de mama, segundo a Deputada Enfermeira Rejane, presidente da Comissão, seria capacitar os técnicos para realizar os exames na rede básica:

“O correto é que todas as mulheres a partir dos 40 anos façam a mamografia anualmente, apesar de o protocolo recomendar que seja a partir dos 50 anos e a rede de saúde não dar o devido acesso ao exame, que é um direito das mulheres. Capacitar os técnicos da rede básica seria importante para diagnosticar precocemente o câncer de mama.  A taxa de letalidade é alta porque a identificação dos casos se dá tardiamente.” No que concorda o médico Alexandre Villela, da Sociedade Brasileira de Mastologia, que defende a volta da política do rastreamento a partir dos 40 anos, já que  ¼ das ocorrências de câncer de mama é em mulheres dessa faixa etária em diante.  Portaria do Ministério da Saúde, de dezembro de 2015, restringiu o  acesso à mamografia à mulheres entre 50 e 69 anos.  O que é motivo de críticas do representante da SBM a atual política em vigor, à central de regulação na marcação de exames e à falta de verbas para a área da saúde, o que leva as doentes de câncer a contar apenas com o apoio  único e exclusivo de associações da sociedade civil.

Com a participação de representantes de entidades de mulheres, de conselheiras do Cedim, da Subsecretária de Políticas para as mulheres do Estado, Marizeti Ramos e estudantes da área de saúde, ficou demonstrada a grande preocupação da sociedade de que a crise financeira do Rio de Janeiro e o ajuste fiscal proposto pelo governo federal prejudiquem ainda mais fortemente as políticas de combate e tratamento do câncer de mama.

As Rodas de Conversa do Outubro Rosa prosseguem amanhã, com o debate sobre “Os desafios enfrentados pelas mulheres vítimas de câncer após o tratamento.  Será às 9h da manhã, no auditório Nelson Carneiro, na Rua Dom Manuel, s/nº, 6º andar, prédio anexo ao Palácio Tiradentes ( Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

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