Por que as mulheres lutam em 8 de março

Por 9 de março de 2021 Notícias Sem comentários
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Carta lida em plenário pela Deputada Enfermeira Rejane, dando voz ao manifesto que o movimento social, organizações de mulheres e feministas fizeram para marcar o 8 de MARÇO. Um Dia Internacional da Mulher  marcado por uma conjuntura ainda tão dolorosa para o povo e em especial para as mulheres e suas famílias que viram suas situações profissionais, sociais, econômicas e de saúde mental ainda mais vulneráveis.

“Senhor Presidente da ALERJ, Queridas colegas deputadas que, independente das diferenças programáticas de nossos partidos e convicções políticas pessoais, sempre estiveram unidas nos projetos e debates em defesa das mulheres fluminenses. Portanto, são parceiras de primeira hora das iniciativas da CDDM. Saúdo aos senhores deputados que, também estão engajados nas iniciativas que propugnamos para que todas as mulheres fluminenses alcancem sua cidadania plena. Nesse dia 8 de março de 2021, de conjuntura ainda tão dolorosa para o povo e em especial para as mulheres e suas famílias que viram suas situações profissionais, sociais, econômicas e de saúde mental ainda mais vulneráveis dirijo- me a todas as cidadãs desse Estado, independente de idade, classe, raça, orientação sexual, religiosa, deficiência física ou mental para manifestar nosso respeito e afeto em nome do Parlamento Fluminense pelo Dia Internacional da Mulher. Para celebrar esse dia e deixar escrita na história dos anais dessa Casa de Leis a memória dessa nossa homenagem às mulheres incansáveis e tão sofridas de nosso Estado, resolvi dar voz ao manifesto que o movimento social, organizações de mulheres e feministas fizeram para marcar essa data. Entendo que o papel do parlamento é esse! Não nos cabe nos apropriarmos da construção e da fala das pessoas de nosso povo e todo esforço com que se sustentam no seu dia a dia. Queremos DAR VOZ ao que a inteligência coletiva das mulheres, sua prática da sobrevivência e seus clamores contra as mazelas locais nos trazem. Desta forma, humildemente, leio aqui o resumo do MANIFESTO DO 8 de MARCO DE 2021 que entrego à Mesa Diretora para registro. DEPUTADA ENFERMEIRA REJANE Presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher
POR QUE AS MULHERES LUTAM NO 08 DE MARÇO.

O Brasil vem enfrentando o crescimento do trabalho informal e do desemprego. O empobrecimento da população atinge diretamente mulheres trabalhadoras, sobretudo negras, indígenas e periféricas. Somos quem supre vácuos do ensino remoto, cuidamos de doentes, de idosos, de casas e famílias, garantindo trabalhadores saudáveis em seus postos de trabalho, sem os quais os patrões não lucrariam. Com o avanço da pandemia, o auxílio emergencial tornou-se fundamental para a sobrevivência das mulheres. Exigimos a permanência do auxílio emergencial e nos aliamos a lutas em curso.  Nós, mulheres, também lutamos pela garantia do direito ao trabalho reprodutivo sem direito a descanso e autocuidado. No Rio de Janeiro, a primeira vítima fatal da pandemia foi Madalena, empregada doméstica, obrigada a trabalhar no Leblon para seus patrões que sobreviveram. Repudiamos essa lógica racista e escravocrata. Pedimos justiça! Durante toda a Pandemia, Mães, Tias e Avós tiveram sua tripla jornada de trabalho redobrada, pois agora são responsáveis pelo cuidado e educação de seus filhos 24h/dia, dada a suspensão das aulas. Com isso, milhares de estudantes perderam suas principais refeições (merenda escolar). Por consequência, mães que muitas vezes pulam refeições para conseguir alimentar suas crianças se viram obrigadas a intensificar suas cargas de trabalho o que acarreta numa ainda maior exploração de trabalho. A vacinação prioritária para os profissionais da educação é uma demanda urgente. Num estado em que a violência doméstica só aumenta, a flexibilização do porte de armas torna nossos lares lugares de medo e submissão. Em 2020 tivemos um aumento de 70% nos casos de feminicídio, tendo também mais de 4 mil estupros só em 2019, junto a um número desconhecido de mulheres que morreram devido ao aborto ilegal e apenas um hospital público que atende vítimas de violência sexual ou gestantes que correm risco de vida para realizar o aborto legal. Nos momentos de crise, os primeiros direitos a serem negligenciados são justamente os das mulheres, como a proteção à autonomia sexual e reprodutiva de mulheres e o respeito à lei do acompanhante e à lei da doula. Acusamos a responsabilidade do estado quanto ao aumento da violência obstétrica, do parir solitário e da mortalidade materna. reforçamos a nossa luta pela garantia dos direitos reprodutivos e sexuais para as mulheres. Repudiamos a pedofilia e a exploração sexual. A LGBTIfobia segue presente na atuação do governo não tendo sido pensadas quaisquer iniciativas para enfrentar os efeitos da crise causada pela Covid 19. mulheres lésbicas enfrentam estupros corretivos, expulsões de casa e exclusões das políticas de acolhimento em caso de vulnerabilidade social. Vimos também que o assassinato de mulheres trans aumentou em 43% em relação a 2019, sem que houvesse qualquer resposta para o enfrentamento dessas violências pelo governo. A participação popular deve ser assegurada através de conselhos, não podemos tolerar a exclusão da sociedade civil no debate sobre as políticas nacionais de direitos humanos. Em janeiro de 2020, o Rio de Janeiro sofreu com a crise de abastecimento e de qualidade da água. com a chegada da pandemia de Covid, a falta d’água tornou-se um problema ainda maior. um ano depois, a crise continua afetando as favelas e os bairros periféricos, habitados majoritariamente por mulheres negras. Isto é parte da necropolítica e retirada da dignidade da população negra carioca. Junto a isto, a poluição dos rios, a falta de mata ciliar, a morte da fauna e flora são agravadas pelo aquecimento global. é preciso despoluir e impedir a poluição dos rios e córregos. É urgente investir em saneamento, ou corremos o risco de ficarmos sem água potável no estado. Para isto, precisamos parar a venda da CEDAE. Exigimos políticas sérias de isolamento social, coordenadas com auxílio emergencial digno, e um plano urgente e universal de vacinação. VACINA JÁ  para todas e todas pela vida de todas as mulheres! O CALOR DAS RUAS DEVE SER O NOSSO TERMÔMETRO, pois nossa força está na capacidade de mobilizar as mulheres trabalhadoras do campo e da cidade! ”

ASSINAM ESTE MANINFESTO 112 entidades, frentes, coletivos, movimentos, mandatos e mandatas que compõem a construção unificada do 8M RJ 2021 que os mandatos Estadual (Enfermeira Rejane) e Federal (Jandira) do PCdoB.RJ também assinam.

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