DEPUTADA REPUDIA CULTURA DO ESTUPRO

Por 2 de junho de 2016 Notícias One Comment
ManifestoContraEstupro_FotoLucasMoritz

Na semana passada, um vídeo circulou na internet, mostrando do que é capaz o machismo, a misoginia, a violência de gênero. Ficou evidente como a nossa sociedade ainda precisa avançar no combate às opressões e no respeito às mulheres. Não posso me furtar de falar sobre este caso e, por isso, ocupei a tribuna da Alerj, na última terça-feira, para mostrar aos colegas parlamentares que não foi somente mais um caso de estupro. Foi uma violência que atinge todas nós, mulheres:

Nós, na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, já viemos há alguns meses nos debruçando na questão do estupro no Estado do Rio de Janeiro, porque é o tipo de violência que mais nos deprime.

Desta forma, Sr. Presidente, por conta dessa revolta, dessa depressão, desse ódio resolvi escrever o meu discurso, porque talvez não conseguisse ter palavras para dizer tudo o que nós, mulheres, estamos sentindo neste momento.

Na semana passada, um vídeo circulou na internet, mostrando do que é capaz o machismo, a misoginia, a violência de gênero. Ficou evidente como a nossa sociedade ainda precisa avançar no combate às opressões e no respeito às mulheres. O caso da jovem de 16 anos estuprada por mais de trinta homens, filmada e exposta nas redes sociais, doeu em cada uma de nós que se revolta com essa violência. A violência contra as mulheres. Doeu também em cada um de nós ver pessoas, autoridades ou não, questionando, duvidando ou relativizando a situação nas redes sociais; nas redes sociais e nos grandes meios de comunicação.

Porque não doeu só o estupro, doeu percebermos que as pessoas ainda culpabilizaram a jovem. Em contrapartida, as mulheres mostraram do que são capazes. Organizaram-se, mobilizaram-se nas redes sociais, nas ruas de todo o País, para denunciar o caso ao Ministério Público e também para toda a sociedade.

Injetamos o debate sobre a cultura do estupro. Não é o caso somente da jovem. Como disse aqui o Deputado Jânio Mendes, Cabo Frio tem vários casos. E por que não vêm para a mídia? E por que esse debate não está na boca do povo?

Queremos discutir sobre a cultura do estupro, que por tantas vezes foi e infelizmente ainda continuará sendo negligenciado. Nas ruas, na internet, nos bairros, todos falavam do horror, todos se revoltavam, ainda que houvesse aqueles que insistissem em falar sobre a conduta da vítima. Para nós não importa o que fez e quem é a moça, para nós importa protegê-la bem como todas as mulheres que diariamente são violentadas. A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil – 11 minutos. Essa conduta é que nos faz valorizar o Chefe de Polícia, o Sr. Fernando Veloso, que nós temos aqui que falar, sim, o nome dele, por que não, que tirou o Delegado Alessandro Thiers, que nomeou a Delegada Cristiane Honorato, que tocou esse caso com a sensibilidade das mulheres, e ela conseguiu mostrar que uma jovem de 16 anos não estava conivente porque estava desacordada. E desse viés feminino nós precisamos, porque não precisamos de mais homens que continuem culpabilizando as mulheres no nosso Estado. Ficou nítido nesse caso, e foi preciso a mobilização popular para que fosse mudado esse Delegado.

E aqui eu quero fazer um registro de que é somente com muita mobilização que nós vamos conseguir botar esses culpados na cadeia. Nós precisamos do Movimento de Mulheres organizado.

No dia 6, agora, nós vamos fazer uma Audiência Pública, na Casa, com a Comissão de Direitos da Mulher, mas também com a Comissão de Direitos humanos, com a Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia, com a Comissão de Assuntos da Criança, da Juventude, nós vamos fazer uma Audiência Pública coletiva, dentro desta Casa, porque entendemos que nesse caso, nesse processo, Sr. Presidente, nós não precisamos mais de holofotes. Nós precisamos, sim, debater como mudar a concepção dentro dessa

sociedade. Uma concepção de entender e tentar modificar, porque, na realidade, o que nos leva a debater sobre esse caso é que a culpa ainda é da mulher. É essa cultura que precisamos mudar.

Essa realidade vivemos aqui na semana passada. Fizemos uma audiência pública para debater o estupro, que não acontece só em Cabo Frio ou nas Cidades do interior, também acontece dentro das universidades, nas festas universitárias. Quando começamos a mexer nesse caldo, sai tanta denúncia, meu Deus do céu! Sai tanta coisa, tanta informação que ficamos pensando: meu Deus, como essas mulheres não estão denunciando? Elas não denunciam por medo, medo de represália, por vergonha. Na semana passada, a mulher que foi violentada na Faculdade Rural cometeu suicídio, Sr. Presidente. Infelizmente, depois da nossa audiência pública, tomamos conhecimento de que ela se suicidou.

Precisamos, Sr. Presidente, para terminar, educar os nossos filhos e fazer o debate sobre gênero em todos os momentos. Esse debate precisa estar nos currículos e na casa das pessoas porque o respeito às mulheres e às diferenças não pode mais ser visto como algo ruim ou como uma doutrina, e sim como algo fundamental para que a sociedade possa romper com a cultura do estupro e do desrespeito total e absoluto com quem precisa ser amparado pelo Estado.” https://www.youtube.com/watch?v=UXVOOmUzyYo

Um Comentário

  • Sonia Azevedo disse:

    Esse ato das deputadas foi muito significativo porque as aproxima das manifestações de ruas! Não podemos nos calar.
    Estive no Seminário que a UBM fez com a Comissão que a deputada Rejane preside e aprendi muito. Combater a misoginia
    ´´e essencial para resgatarmos a dignidade das mulheres.

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