DEPUTADA COBRA EXPLICAÇÕES SOBRE AUMENTO DA MORTALIDADE MATERNA NO RIO

GRÁVIDA

A Deputada Enfermeira Rejane, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, está cobrando do Secretário Municipal de Saúde explicações sobre o aumento expressivo na mortalidade materna na cidade do Rio de Janeiro.  Nos últimos 3 anos, a capital fluminense registrou crescimento no número de morte de mulheres que sucumbiram ao parto ou durante a gravidez. Subiu de 74,7 em 2016 para 98,6 óbitos a cada cem mil nascidos vivos, ultrapassando a meta da Organização das Nações Unidas, de 35 óbitos por 100 mil nascidos vivos. Somente este ano, 28 mulheres morreram de parto.

A maior incidência de óbitos é registrada entre mulheres negras e pobres, o que, para a Deputada Enfermeira Rejane, demonstra claramente as desigualdades sociais, de gênero e raça.

Para a parlamentar, também membro da Comissão de Saúde da Alerj, a mortalidade materna é um grave problema de saúde pública e há uma necessidade urgente de ampliação das políticas de assistência à mulher:

– Não é admissível que no Rio de Janeiro haja apenas uma casa de parto e pouquíssimas maternidades disponíveis para uma população na qual as mulheres são maioria. As grávidas são obrigadas a se deslocar quilômetros para o pré-natal, o que acaba dificultando o acesso a este acompanhamento básico e necessário à saúde da mulher e dos bebês. No interior do Estado o atendimento é ainda mais precário!

No município do Rio de Janeiro, há carência de maternidades públicas. A cidade dispõe de 12 unidades, para atender a 3.362.083 mulheres ( fonte : Censo 2010). O atendimento, no entanto, muitas vezes é falho. O caso mais recente foi a morte de um nascituro ocorrida no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo. A mãe, Bianca Lima ficou 24 horas em trabalho de parto e se queixa da demora na realização dos procedimentos de dar a luz, garantindo que ao ser examinada durante este período o coração do bebê batia normalmente. Antes de dar entrada no Albert Schweitzer, a grávida chegou a procurar o Hospital da Mãe, em Mesquita, e a maternidade de Seropédica, na Baixada Fluminense, mas foi dispensada nas duas unidades.

A Deputada Enfermeira Rejane considera que a precariedade no atendimento tem relação com a gestão das unidades de saúde pelas Organizações Sociais. Segundo a Enfermeira Rejane, as OSs não investem no dimensionamento de pessoal, deixando de contratar o número adequado de profissionais, priorizando o lucro.

Para discutir propostas que possam contribuir para a formulação de projetos de lei voltados à redução da mortalidade materna, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher realiza no próximo dia 19 de junho, o 1º Encontro de Vereadoras e Prefeitas do Estado sobre a implantação de Casas de Parto na capital e interior. Hoje, o Estado conta apenas com uma unidade dedicada ao parto humanizado, a Casa de Parto David Capistrano, localizada em Realengo, zona oeste da capital. A Casa de Parto oferece um pré natal diferenciado e a equipe é composta em sua maioria por enfermeiras obstétricas, assistente social, nutricionista e técnicos de enfermagem.

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